Conferência «Ideologia de Género - A Perspetiva Médica», pelo médico psiquiatra Pedro Afonso

Duzentas e cinquenta pessoas participaram na noite de 27 de fevereiro, na conferência promovida e organizada pela Associação dos Médicos Católicos Portugueses (AMCP), sobre o tema «Ideologia de Género – A Perspetiva Médica».

A conferência, realizada online,  teve como orador o médico psiquiatra Pedro Afonso, que, com base no trabalho de investigação que vem realizando e na sua experiência médica, defende que “a educação na escola e na família devem promover uma sincronia entre o sexo biológico e o sexo identitário”, e não o contrário.

Neste sentido, o psiquiatra alertou para os perigos do crescente impacto da ideologia de género, que “assenta na ideia radical que os sexos masculino e feminino não passam de uma construção mental, cabendo à pessoa escolher a sua própria identidade de género”.

“A ideologia de género é um movimento cultural com impacto na família, na política, na educação, na comunicação social, que reclama a utilização de uma nova linguagem, quando, porém, não existem evidências científicas para se defender os mais de 50 géneros que foram reclamados”, disse.

Mas afinal o que é ideologia de género? O que é a identidade sexual? A disforia de género é uma doença? Qual a ligação entre a disforia de género e a saúde mental? O que significa a retribuição de género?

Estas e outras perguntas foram o ponto de partida do psiquiatra Pedro Afonso, que estruturou a sua exposição sob o ponto de vista médico e com base em artigos científicos publicados. “A identidade sexual é um tema complexo. Na sua formação estão envolvidos fatores biológicos, psicológicos e sociais”, referiu.

A ideologia de género, “assente na falácia da autodeterminação – Tu podes ser o que quiseres“, “é radical porque dissocia o sexo biológico do género percecionado” e “criou um ambiente negacionista”, por “rejeitar a ciência”, por pretender “destruir as fundações [da ciência]”.

A ideologia de género, apontou, “criou um crime intimidatório extremista e intolerante, através do cancelamento, censura, não permitindo uma opinião diferente”, integrando a denominada cultura woke.

Pedro Afonso considera que a falta de informação e conhecimento sobre o que é a Disforia de Género, doença de foro psiquiátrico, nomeadamente as suas possíveis causas “ambientais, hormonais e fatores genéticos”, faz com que, por falta de esclarecimento e acompanhamento médico adequado, várias pessoas avancem apressadamente para terapias hormonais e intervenções cirúrgicas irreversíveis.

 “A medicina ainda não encontrou as causas que levam ao aparecimento da disforia de género (etiologia multifatorial)”, daí a necessidade da avaliação clínica aprofundada, “antes de se avançar de forma precipitada para tratamentos hormonais ou cirúrgicos”.

“Existe uma forte associação entre a disforia de género e diversas perturbações psiquiátricas. Em muitos casos, estas perturbações mantêm-se mesmo depois de o indivíduo ter sido submetido a tratamento médico, psicológico e/ou cirúrgico”, sublinhou o psiquiatra.

As pressões aos médicos e junto dos educadores para a institucionalização da ideologia de género é outro problema com que a sociedade se depara. “Estes casos devem ser entregues à medicina e aos profissionais competentes de saúde, que devem atuar sem pressões ideológicas ou políticas”, afirmou Pedro Afonso.

No tempo de diálogo que se seguiu à exposição pelo psiquiatra; e onde se percebeu a inquietude de muitos dos presentes pela forma como esta questão está a ser gerida em Portugal, seja em termos médicos, legislativos ou de educação, com denúncias ao “ambiente intimidatório de contágio” nas suas profissões e na sociedade em geral, Pedro Afonso recomendou aos profissionais de saúde, aos educadores e às famílias para “não desesperarem e não se deixarem chantagear”, com a pressão ideológica apresentada pelos defensores da ideologia de género.

Margarida Neto, presidente da Direção Nacional da AMCP, em jeito da avaliação da conferência, refere a elevada adesão de participantes, a indicar o grande interesse pelo tema e a necessidade da realização de outras ações formativas e informativas relacionadas.

Inicialmente previsto para médicos e estudantes de medicina, associados da AMCP, o webinar foi depois alargado à participação de todos os interessados no tema proposto e teve assim como participantes outros profissionais da área da saúde, também da área jurídica, muitos professores e educadores e outras pessoas que se apresentaram simplesmente “pais” ou “avós”, num total de 252 pessoas. 

 

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Pedro Afonso é médico psiquiatra, assistente graduado de Psiquiatria da carreira médica hospitalar, exercendo atualmente atividade clínica no grupo CUF. Mestre em Ciências do Sono e doutorado em Psiquiatria e Saúde Mental pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Professor convidado no Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa, tendo sido o coordenador da Pós-Graduação em Saúde Mental (2011-2017), professor de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (2011-2023). É professor na AESE — Business School na área de desenvolvimento humano. Fotografia: captura de ecrã, durante a conferência online

28 de janeiro de 2025